O desembargador Marcio Barcelos Costa, do Tribunal de Justiça do Estado do Tocantins (TJTO), anunciou a prorrogação do afastamento cautelar da prefeita de Praia Norte, Bruna Gabrielle Neves Pires de Araújo, por mais 90 dias. Desde 12 de maio de 2026, a prefeita estava afastada de suas funções devido a investigações sobre supostas fraudes em contratos públicos. Esta decisão reafirma o comprometimento da Justiça na manutenção da integridade nas administrações municipais.
A decisão do desembargador foi realizada a um dia do término do afastamento anterior, motivando uma manifestação de moradores em frente à prefeitura, que demonstraram seu descontentamento com a possível volta da prefeita ao cargo. Ao mesmo tempo, a Câmara de Vereadores da cidade aceitou dois pedidos de impeachment, intensificando a crise política em Praia Norte.
A justificativa para a extensão do afastamento se baseia na revelação de novos indícios de irregularidades durante a gestão interina da prefeitura. Um dos itens mais controversos é a execução do contrato nº 72/2025, que previu obras de pavimentação em bloquetes. Segundo um laudo técnico preliminar, apesar de cerca de 70% do valor do contrato, totalizando R$ 780.717,72, já ter sido pago, somente 25% do serviço foi realmente concluído.
Dentre os 930 metros de pavimentação contratados, somente cerca de 230 metros foram efetivamente entregues. O risco de que a prefeita retorne ao cargo, conforme destacado na decisão judicial, poderia prejudicar a preservação de provas e a continuidade das investigações em curso. Isso também levanta preocupações sobre a possível manipulação de documentos e testemunhas durante o processo.
A defesa da prefeita, por meio de nota, reagiu à decisão com calma e anunciou que tomaria todas as medidas judiciais para reverter a situação. A continuidade do processo agora dependerá da manifestação da Procuradoria-Geral de Justiça, enquanto a defesa será intimada para apresentar contrarrazões dentro do prazo legal estipulado. Esta situação não apenas impacta a administração local, mas também acende um alerta à população sobre a transparência e a legalidade nas gestões públicas.
A crise em Praia Norte reflete questões mais amplas relacionadas à governança e à ética na administração pública brasileira, enfatizando a necessidade de um acompanhamento rigoroso das finanças e contratos públicos para evitar fraudes e desvio de recursos.