Expansão urbana no Brasil cria debate sobre qualidade

O Brasil ampliou sua área urbanizada em quase 6 mil quilômetros quadrados nos últimos três anos, conforme dados revelados pelo IBGE. Esse crescimento, que representa um avanço de 12,27%, equivale a 770 campos de futebol incorporados ao espaço urbanizado a cada dia.

Enquanto o Sudeste se destaca com a maior extensão urbanizada, o Nordeste foi a região que teve o maior crescimento proporcional, com Brasília liderando entre os municípios ao adicionar 72 km² à sua área urbanizada, mais que o dobro do que São Luís, que ficou em segundo lugar.

Os dados fazem parte do “Mapeamento das Áreas Urbanizadas do Brasil”, que utiliza imagens de satélite para identificar a expansão horizontal das cidades no período de 2019 a 2022. Essa metodologia avalia áreas antes desocupadas que passaram a ser ocupadas por edificações e equipamentos urbanos, redefinindo a compreensão do que constitui uma área urbanizada.

Segundo o IBGE, a “área urbanizada” refere-se ao conjunto de formas e estruturas que expressam o fenômeno urbano, incluindo loteamentos vazios que agora são considerados ocupações.

Questionamentos Sobre a Qualidade da Urbanização

Especialistas em planejamento urbano alertam que a própria expansão da área urbanizada não necessariamente traduz uma melhoria nas condições urbanas. Zeca Brandão, arquiteto e urbanista da UFPE, lembra que o Brasil, embora altamente urbanizado, enfrenta graves deficiências em infraestrutura básica e serviços públicos, como saneamento, mobilidade e espaço público.

Outro especialista, Benny Schvarsberg, da UnB, salienta que a migração de classes média e alta para novos territórios pode resultar em áreas de baixa densidade e crescimento desordenado, complicando a expansão necessário de infraestrutura.

A crescente migração de moradores de grandes cidades para municípios menores é uma tendência observada que pode ser vista tanto como uma interiorização quanto como uma suburbanização. Isso implica que áreas rurais estão se tornando urbanas sem obter as características necessárias para uma urbanização sustentável.

O aumento no número de municípios que revisaram seus planos diretores também é significativo; muitos buscaram ampliar seus perímetros urbanos para aumentar a arrecadação de impostos, uma estratégia que visa fortalecer suas economias locais.

O Nordeste, ao contrário da expectativa comum, apresentou um crescimento urbano significativo, que pode ser ligado a fatores como o êxodo de moradores de capitais, além da busca por qualidade de vida que motivou muitos a optarem por cidades menores durante a pandemia, realçando o interesse por espaços mais amplos e férias em áreas litorâneas.

O mapeamento do IBGE revela uma concentração de urbanização em cidades litorâneas, onde 443 municípios abrigam cerca de 19,5% da urbanização total do país. Assim, há uma preocupação crescente sobre a forma como essa expansão está sendo administrada, o que pode ter impactos a longo prazo nas estruturas sociais e ambientais do Brasil.

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