A Câmara de Vereadores de Praia Norte anunciou a cassação da prefeita Bruna Gabrielle (PSD) por infrações político-administrativas. A decisão, que reflete um momento tenso na política local, surge em meio a investigações sobre um suposto esquema de desvio de recursos públicos através de contratos fraudulentos.
O decreto legislativo foi publicado em 21 de agosto de 2026, e a votação ocorreu durante uma sessão extraordinária, onde foram contabilizados sete votos a favor da cassação, atingindo o quórum necessário de dois terços dos membros da Câmara. Este desfecho leva a prefeita a enfrentar acusações sérias que incluem falhas no repasse do duodécimo ao Poder Legislativo municipal e irregularidades em contratos que somam aproximadamente R$ 4,4 milhões.
A aprovação dos pedidos de impeachment, aceitos em junho de 2026, indicam um desgaste significativo no relacionamento da gestão com o legislativo. Bruna Gabrielle, que nega as acusações e classifica o processo como uma perseguição política, planeja recorrer à Justiça para contestar a decisão.
Além disso, a situação se complica com o recente afastamento da prefeita decidida pela Justiça, que já havia determinado anteriormente um afastamento inicial de 90 dias pela primeira vez em 13 de maio de 2026. Após o término desse prazo, uma gestão interina tentou prorrogar o afastamento, mas teve o pedido rejeitado. No entanto, em 21 de agosto, um novo afastamento foi imposto pelo juiz Jefferson David Asevedo Ramos, aumentando as incertezas em torno da administração municipal.
A investigação em curso revela possíveis irregularidades alarmantes. Entre elas, destaca-se a contratação de uma “empresa de fachada”, que foi criada apenas uma semana após o estabelecimento do primeiro contrato com o município. A empresa, curral apenas no nome de uma servidora pública, não possui sede física, funcionários ou equipamentos. Outras irregularidades incluem:
- Contratos exorbitantes: A empresa foi responsável por contratos que totalizam cerca de R$ 4.487.991,21 para locação de veículos e obras de engenharia.
- Fraude na execução: As obras pagas à empresa, como recuperação de estradas, utilizavam maquinário da própria prefeitura, levantando questões sobre o uso indevido de bens públicos.
- Obstrução de fiscalização: A gestão ignorou por mais de 150 dias requisições de informações tanto da
- Incompatibilidade financeira: A sócia da empresa, uma servidora pública com um salário de R$ 2.435,24, possui um capital social declarado de R$ 800.000,00, o que parece pouco viável.
Esses eventos gravitam sobre a importância da transparência na administração pública e a urgência de um processo legislativo que promova a responsabilidade e a ética nas gestões municipais.