O recente Mapa Nacional da Violência de Gênero revela que 34% das mulheres no Tocantins relataram ter vivido situações de violência nos 12 meses anteriores à pesquisa, sem declará-las como violência doméstica. Esse índice é semelhante à média nacional de 29%. Essas estatísticas refletem uma chaga social que vai além do que os dados oficiais podem indicar.
Realizada pelo DataSenado em 2025, a 11ª Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher teve a participação de 21.641 mulheres. O estudo derivou informações cruciais sobre as experiências de violência que as mulheres enfrentam diariamente. Maria Teresa Prado, coordenadora do Observatório da Mulher, destaca que é crucial não apenas expandir a rede de proteção, mas também assegurar que as mulheres conheçam seus direitos e o suporte disponível.
Dos episódios relatados no Tocantins, 88% foram de violência psicológica, 81% de violência física e 80% de violência moral. O agressor é, em 64% dos casos, o marido ou companheiro. A pesquisa evidencia que 18% das vítimas ainda convivem com seus agressores. As consequências da violência são amplas: 78% relataram que a situação afetou sua rotina, 56% foram impactadas no trabalho e 70% nas interações sociais.
A pesquisa também destacou a falta de conhecimento sobre os direitos e serviços disponíveis. Embora 94% das mulheres conheçam a Defensoria Pública, 68% têm pouco conhecimento sobre a Lei Maria da Penha. Isso se intensifica a necessidade de políticas públicas que não apenas acolham as vítimas, mas que também eduquem sobre o que realmente constitui violência e como buscar ajuda.
Em uma escala nacional, 93,6% das mulheres não reconheceram a violência como tal. Este dado é alarmante, pois indica uma desconexão entre as experiências vividas e o reconhecimento delas como violência. Beatriz Accioly, do Instituto Natura, enfatiza que puramente aumentar o número de serviços disponíveis não é suficiente; as mulheres precisam ser capacitadas a reconhecer e nomear suas experiências.
Enquanto o Mapa Nacional da Violência de Gênero continua a expor a dura realidade das mulheres, faz-se essencial que o Brasil desenvolva estratégias eficientes para garantir que informações e recursos cheguem a todas as mulheres, independentemente de sua situação atual.