O banqueiro Daniel Vorcaro prestou um depoimento de cerca de quatro horas à Polícia Federal (PF) no dia 28 de agosto de 2026. Durante a sessão, Vorcaro expressou novamente seu interesse em estabelecer um acordo de colaboração premiada. Esta é a terceira vez que o ex-banqueiro tenta essa abordagem, buscando um caminho para esclarecer sua situação legal.
Os advogados de Vorcaro, Sérgio Leonardo e Daniel Bialski, destacaram em nota enviada à imprensa que o cliente está disposto a oferecer esclarecimentos mais abrangentes, contanto que tenha a garantia de que sua colaboração será efetivamente considerada.
Desde o momento em que Vorcaro manifestou o desejo de negociar um acordo, a PF já havia recusado duas propostas anteriores. As alegações dos investigadores foram de que os documentos apresentados careciam de prova suficiente e não traziam novos elementos às investigações em andamento.
A defesa de Vorcaro também mencionou a intenção de reconstruir relações com o Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente com o ministro André Mendonça, que teria se mostrado cético em relação aos acordos anteriores devido a experiências negativas com a defesa anterior.
O foco do inquérito em que Vorcaro está envolvido diz respeito à atuação suspeita de dois ex-funcionários do Banco Central (BC). Os investigadores estão averiguando se esses servidores facilitaram o acesso a informações privilegiadas em troca de benefícios financeiros, criando uma rede de favores em benefício do banqueiro.
No depoimento, Vorcaro se mostrou cooperativo, afirmando ter respondido todas as perguntas de maneira clara e consistente. A defesa argumenta que não houve corrupção envolvida e que ele se dispôs a esclarecer todas as alegações.
As negociações para uma possível colaboração premiada enfrentam três principais barreiras. A primeira é a expectativa da Procuradoria-Geral da República (PGR) de que Vorcaro reconheça sua culpa em relação aos crimes investigados, algo que não ocorreu até o momento.
O segundo obstáculo diz respeito à questão financeira; as investigações estão concentradas na devolução dos valores estimados entre R$ 40 bilhões e R$ 60 bilhões, supostamente desviados durante a fraude do Master. Por último, a falta de informações novas também é uma preocupação para a PF, que reitera que o que foi apresentado até agora já é conhecido através de dados coletados em celulares apreendidos.
O desfecho dessas negociações é incerto e a busca por uma resolução continua, envolvendo não apenas a PF, mas também a PGR, com a expectativa de que novas evidências ou declarações surjam.