Criminosos vêm utilizando informações públicas de ações judiciais para aplicar o conhecido “golpe do falso advogado”. O caso mais recente é o do motorista Luiz Carlos Rodrigues, residente em Palmas, que foi abordado de maneira astuta. Os golpistas apresentaram detalhes precisos de um processo judicial que Rodrigues movia desde 2016, relacionado à compra de um terreno. Essa técnica cria uma falsa sensação de segurança para a vítima.
O golpe consiste em contatar pessoas envolvidas em processos judiciais reais, utilizando fotos e nomes de profissionais autênticos. Os golpistas exigem transferências financeiras, alegando que são necessários depósitos para a liberação de valores de causas ganhas.
Rodrigues acabou acreditando nas informações apresentadas e, seguindo as instruções dos golpistas, efetuou um pagamento via Pix após clicar em um link enviado pelo WhatsApp. O resultado foi um rombo de quase R$ 30 mil em sua conta bancária.
Esse tipo de golpe está se proliferando no Brasil, atingindo milhares de pessoas. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) informou que, até dezembro do último ano, mais de 17,5 mil cidadãos reportaram terem sido vítimas desta modalidade criminosa. É importante ressaltar que esse número pode ser ainda maior, já que muitas pessoas não comunicam esses casos à OAB, preferindo apenas registrar queixa na polícia.
Em 2025, mais de 2 milhões de casos de estelionato foram registrados no país, e a maior parte dos golpes do falso advogado acontece pelo WhatsApp, com dados extraídos de processos públicos. Além da atuação virtual, há casos de estelionato presencial, como o de um homem que criou um escritório na cidade de Tocantinópolis, arrecadando R$ 20 milhões.
Para combater essa prática, a OAB-TO ajuizou uma Ação Civil Pública em janeiro de 2025, requisitando medidas de segurança às instituições financeiras e empresas de tecnologia. As solicitações incluem o bloqueio imediato de transferências via Pix e a remoção rápida de perfis fakes nas plataformas digitais.
Evaldo Reis, cientista da computação, aconselha que as pessoas evitem interagir com números desconhecidos. “Utilize o número de telefone do seu advogado registrado, não respondendo a contatos novos pelo WhatsApp”, alerta.
Além disso, desconfie de solicitações que envolvam transferência de valores para a liberação de indenizações. Reforce que profissionais da Justiça nunca exigem depósitos prévios por links ou chaves Pix.
Para garantir um serviço jurídico confiável, consulte o Cadastro Nacional dos Advogados (CNA) no site da OAB. Esse passo pode assegurar uma contratação segura. Busque também referências de amigos e familiares antes de escolher um profissional, uma prática recomendada pelo delegado Tiago Daniel.