Gonet menciona charuto e Macallan em evento com Vorcaro

Mensagens obtidas a partir do celular de Daniel Vorcaro pela Polícia Federal (PF) revelaram uma conversa intrigante entre o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o banqueiro. Gonet expressou sua intenção de fumar charuto e degustar uísque Macallan durante um encontro em Londres, planejado para a segunda edição de um Fórum Jurídico patrocinado pelo Banco Master em 2025. Este evento, no entanto, acabou sendo cancelado.

No ano anterior, Gonet participou da primeira degustação, que foi custeada por Vorcaro e contou com a presença do ministro Alexandre de Moraes e do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.

As mensagens foram tornadas públicas em 1º de setembro de 2026, por decisão do ministro André Mendonça, que é o relator das investigações em curso. As conversas revelam que Gonet enviou uma mensagem a Ciro Soares, ex-defensor do Banco Master, onde expressava saudade do banqueiro, que respondeu dizendo: “Agradece muito o carinho. Saudades dele, vamos marcar de estar juntos”.

Em seu grupo de mensagens, Vorcaro ironizou a situação quando Soares mencionou a presença de Gonet em Londres, dizendo: “Agora vai ter que ter plantação de charuto e barril de Macallan”.

Relação com Alexandre de Moraes e Implicações Legais

Em mensagens anteriores, Soares também enviou uma foto ao banqueiro ao lado de Gonet e pediu para que Vorcaro falasse com ele, resultando em inúmeras ligações. A repercussão dessas mensagens é significativa, especialmente considerando o papel de Vorcaro em financiar não apenas a viagem de Gonet, mas também a de seu filho, Pedro Gonet, a Londres. Essa prática levantou questionamentos sobre a relação entre os envolvidos.

Além disso, as mensagens obtidas indicam que Vorcaro buscava a proteção de Gonet e de Andrei Rodrigues. Em uma mensagem, ele pede que Andrei atrase uma operação, sugerindo que isso poderia evitar a quebra do banco. Um dia antes de solicitar o adiamento, fez um desabafo ao ministro Moraes sobre a situação que estava enfrentando, intensificando a gravidade da investigação em torno de suas práticas e relacionamentos.

Procurado para comentar sobre as mensagens, Gonet ainda não respondeu por meio de sua assessoria. O ministro Mendonça, por sua vez, enviou um despacho ao procurador para que se manifeste sobre o relatório da PF detalhando os conteúdos das mensagens, com um prazo de cinco dias para a resposta.

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