O plantio da soja no Tocantins avança, apesar das chuvas irregulares e das incertezas climáticas impostas pelo fenômeno El Niño em relação à safra 2026/2027. As precipitações ocorridas em outubro têm favorecido os trabalhos agrícolas, permitindo que as atividades se acelerem em várias regiões do estado, mas o atraso inicial das chuvas continua sendo uma preocupação para os produtores locais.
De acordo com o primeiro levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Tocantins poderá atingir uma produção de 10,03 milhões de toneladas, o que representa um crescimento de 2,9% em relação à safra anterior.
Thiago Facco, vice-presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Tocantins (Aprosoja TO), destacou que o ritmo do plantio se encontra acima da média dos últimos cinco anos e que há relatos de produtores que já estão concluindo o plantio em suas áreas.
Por outro lado, Simone da Silva Sandri Rocha, produtora rural e presidente do Sindicato Rural de Pedro Afonso, expressou preocupações sobre o atraso das chuvas e seus impactos na colheita e no plantio da segunda safra. Segundo ela, a chuva não está regular, e, embora a germinação das lavouras seja boa, o volume das precipitações é inferior ao esperado.
As preocupações vão além das questões climáticas. A produtora também fez menção ao aumento substancial nos custos de transporte da produção, devido a elevações de até 40% nas tarifas de frete.
O engenheiro agrônomo Thadeu Teixeira Júnior, da Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Seagro), recomenda que os produtores estejam atentos às condições do solo e às previsões climáticas, enfatizando a importância do planejamento antecipado e da preparação das máquinas para garantir bons resultados durante o ciclo agrícola.
Além disso, o uso de bioinsumos tem sido ressaltado como uma alternativa para otimizar a eficiência produtiva, com microrganismos ajudando na absorção de nutrientes. José André Júnior, professor de Agronomia, explicou que esses bioinsumos são fundamentais para o cultivo mais sustentável e produtivo.
Apesar das incertezas climáticas, a Seagro continua a acreditar no crescimento da produção agrícola no estado, o que, segundo Teixeira Júnior, também contribuirá para o desenvolvimento econômico do Tocantins.